Design como estratégia

de inovação

Lidia Goldenstein

Economista

Dos diferentes setores que compõem o setor da Economia Criativa, o design é, talvez, um dos mais abrangentes, pois perpassa todos, inclusive os não incluídos no conceito de Economia Criativa.

O design é um importante instrumento na criação do “caldo de cultura”, necessário para o desenvolvimento da Economia Criativa. Não só por sua capacidade de modernização dos setores considerados tradicionais e de alavancagem dos mais diferentes setores da economia, como também por incentivar um olhar novo mais exigente dos consumidores.

Criatividade e design são quase sempre associados a questões de estética, aparência e estilo. Mas, são muito mais do que isso. São as ferramentas necessárias para a manufatura de produtos e serviços inovadores, com alta qualidade e elevado valor agregado.

Criatividade não pode ser vista como dádiva de alguns privilegiados. Precisa invadir o pensamento de todos os negócios, públicos ou privados, ser exigida por consumidores de bens e serviços. Mas, só aparece nessa dimensão como resultado de uma mudança cultural, que depende fortemente de um sistema educacional moderno, que ensine a pensar o mundo sob um novo ângulo.

No mundo atual, uma nova revolução tecnológica e a intensificação do processo de globalização impõem uma radical mudança nas formas de produção, nos determinantes de geração de valor e competitividade das economias.

Nesse novo cenário, a separação entre manufatura e serviços é coisa ultrapassada. Hoje, os investimentos em ativos intangíveis, entre os quais o design se destaca, são significativamente mais elevados que os investimentos em ativos tangíveis, que predominavam no velho paradigma. As empresas de sucesso, como a Apple, por exemplo, são manufaturas e empresas de serviços (TI, Design, varejo) e é impossível pensa-las sem essa multipolaridade intrínseca ao negócio.

Vários países perceberam esse novo cenário e começaram a redirecionar suas políticas públicas, de forma a incentivar os setores criativos e ligados às novas tecnologias. Alguns já haviam perdido suas manufaturas para a Ásia e outros, como a própria China, mesmo tendo se tornado a grande fornecedora de manufaturas do mundo, vem cada vez mais investindo em design, novas tecnologias e outros intangíveis, como forma de elevar o valor agregado produzido.

No Brasil, o design ainda não é reconhecido no seu potencial mais amplo: ferramenta de inovação desde a estratégia até a produção, nas embalagens, nos processos de produção, no posicionamento de mercado, na comunicação etc.

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