Olho vivo

Câmeras de monitoramento apresentam novas
possibilidades além da segurança 

por: Pâmilla Vilas Boas

Salas interativas de linguagem, raciocínio lógico, ciências, corredores, parque e um pequeno teatro são alguns dos espaços que compõe a Escolinha Future, inaugurada em fevereiro deste ano em Belo Horizonte/MG. Além das referências pedagógicas, brinquedos e outros materiais, as câmeras de monitoramento também acompanham o dia a dia na escola bilíngue para crianças de 0 a 5 anos.  São cerca de 60 câmeras, espalhadas por todos os cômodos e também na área externa, constantemente monitoradas via celulares e visores nas salas da diretoria e coordenação. O objetivo, de acordo com a diretora da escola, Lívia Gasparine de Oliveira, é oferecer segurança para as crianças, equipe e pais.

Cipriano Antônio de Oliveira, engenheiro responsável pela obra, explica que as câmeras são inteligentes e só gravam movimento, além de ter várias acelerações, o que facilita a análise das imagens, caso necessário. Ele explica que a escola também está desenvolvendo um aplicativo para a comunicação direta com os pais. “Eles receberão mensagens ao longo do dia sobre o que a criança comeu, se está bem ou dormindo, inclusive com fotos”, destaca.

O projeto foi realizado com o suporte do setor de segurança da Templuz, como explica o responsável, Thiago Mattos. A Templuz oferece o CFTV (Circuito fechado de televisão), soluções variadas de tecnologias de intrusão (central de alarme não monitorada), alarme contra incêndios de pequeno ou grande portes, vídeos porteiros residenciais, cerca elétrica e concertina. “Essas são as principais soluções ofertadas e comercializadas. Ainda é possível customizar o projeto, de acordo com as necessidades dos clientes”, explica.

São cerca de 60 câmeras espalhadas por todos os cômodos
e área externa da escolinha Future em Belo Horizonte.

Sistemas integrados

Para a presidente da ABESE (Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança), Selma Migliori, a tendência é que as tecnologias de segurança se integrem cada vez mais, em uma gestão mais inteligente da informação. Ela ressalta que a concentração da informação tende a ir para a imagem com sinais de alarmes integrados. “Quando aparece um sinal de emergência na central de monitoramento, já chegam junto imagens do local, permitindo acompanhar o que acontece, ao invés de ter que ficar apenas monitorando 24 horas por dia”, afirma.

Para Fabio Silva, técnico de projetos da empresa Vivotek, a imagem é importante, sobretudo com relação ao falso positivo, que pode acontecer no sistema de alarmes. “Um gato pode acionar o alarme e você e os vizinhos ficam achando que tem alguém dentro de casa.  A imagem gera evidência e é possível identificar quem entrou, por onde chegou, a placa do carro, por exemplo. Além disso, as câmeras podem desempenhar o papel de alarme. Elas conseguem detectar movimento e você pode estabelecer algumas regras, como ao ultrapassar determinado local, por exemplo”, acrescenta. A presidente da ABESE avalia que, nas grandes cidades, o que vai prevalecer é o videomonitoramento integrado à segurança pública. “Nosso setor provê informações para os órgãos públicos. Com a informação de imagem, ele pode atuar com mais eficiência. A tendência são câmeras com softwares inteligentes, que fazem a função de alarme quando encontram uma questão suspeita”, aponta.

A ABESE realiza a EXPOSEC, maior Feira Internacional de Segurança da América Latina que, este ano, acontece entre os dias 23 a 25 de maio. Selma explica que na feira serão apresentadas algumas novidades como sistemas biométricos mais aprimorados no reconhecimento facial e digital e os controles remotos para proporcionar mais segurança aos condomínios com a redução de custos operacionais.  

A escolinha Future investiu em câmeras para segurança
e transparência de informações.

Novas tecnologias, novos usos
A inteligência das câmeras digitais já é uma realidade. Thiago Mattos, da Templuz, explica que foi lançada uma nova tecnologia, a HDCVI, HDTVI, AHD,  que oferece qualidade de imagem em HD, ou FULL HD com baixíssimo custo.  “Essa solução veio realmente para eliminar o atual analógico, e já entrou com força total dominando o mercado”, avalia.

Fábio Silva explica que, com as câmeras digitais, toda a inteligência de transmissão das imagens e análise é feita dentro do próprio dispositivo, sem a necessidade de um agente externo, ao contrário das câmeras analógicas que apenas geram a imagem.  “Aglomeração de pessoas pode ser uma coisa boa ou ruim – na frente de uma loja pode indicar uma campanha de marketing bem sucedida, num órgão público ou num terreno pode indicar uma possível invasão. Hoje em dia as câmeras do tipo IP são capazes de analisar situações“, revela.

Para além da segurança pessoal, do estabelecimento, previsão de roubos e furtos, as empresas estão utilizando as câmeras para a inteligência do negócio, explica Fábio.  “Quantas pessoas entraram na loja em determinado horário, quanto tempo permaneceram no local, quais os departamentos que elas mais visitaram, quais produtos despertaram maior interesse. Esse é um mercado alvo no mundo inteiro”, afirma. Ele ressalta que os shoppings também estão utilizando as câmeras para estabelecer horários de pico e fazer alocação da equipe de limpeza e segurança, por exemplo. Ele cita ainda projetos em escolas, universidades e empresas para monitorar bullying, acidentes de trabalho etc. “Como as câmeras podem contar pessoas, detectar movimento e estabelecer uma área proibida, empresas como Vale, Votoratim e Usiminas já estão utilizando para a prevenção de acidentes”, completa.

Selma acredita que quanto mais tecnologia é aplicada ao estabelecimento, mais informações são obtidas, o que tem uma função de gestão muito importante. “Essas tecnologias, além da segurança, trazem informações consistentes de acesso e comportamento”, afirma.

Fábio conta que a Vivotek está trabalhando em tecnologias de identificação de gênero (homem, mulher, altura e expressões faciais) voltadas para o mercado de varejo. “A ideia é entender o comportamento das pessoas quando chegam a uma loja. Ao experimentar um vestido, por exemplo, é possível ver sua face e entender sua satisfação.  Se você é cliente frequente de uma loja, eles fazem o cadastro, tiram a foto e, ao chegar próximo à vitrine, eles vão te atender pelo nome e oferecer produtos baseados em seu perfil de consumo”, completa.

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